"O nosso menino de oiro", um menino Jesus de 4 patas que nos acompanhou pelo Natal de 2019 e passagem do ano. Infelizmente partiu a 07 de janeiro de 2020 por razões que sempre ficarão por explicar. Esteve pouco tempo entre nós mas marcou-nos a todos de forma profunda: o Sousa (Baby Yoda). E porquê? Não saberia explicar, pela ternura, pela capacidade de amar e de procurar ser amado. Só isso mas para nós foi muito e sempre lhe deveremos isso.
sábado, janeiro 11, 2020
domingo, janeiro 05, 2020
........
E a estrela do céu parou em cima
De uma rua sem cor e sem beleza
Onde a luz tinha a cor que tem a cinza
Longe do verde azul da natureza.
Ali não vi as coisas que eu amava
Nem o brilho do sol nem o da água.
Ao lado do hospital e da prisão
Entre o agiota e o templo profanado
Onde a rua é mais triste e mais sozinha
E onde tudo parece abandonado
Um lugar pela estrela foi marcado.
Nesse lugar pensei: “Quanto deserto
Atravessei para encontrar aquilo
Que morava entre os homens e tão perto.
Sophia Livro Sexto, 1962.
domingo, novembro 24, 2019
One Medicine/Zoobiquity
“Temos que estreitar relações, ”melhorar a partilha de dados”,” intensificar as ações conjuntas”, “trabalhar em parceria”, blá, blá, blá. Ao fim de algumas décadas creio que este discurso, ainda que carregado de boas intenções, não nos conduzirá certamente a bom porto. Que me desculpem os envolvidos, mas para mim, menos envolvida e mais entusiasta, isto parece-me evidente. Chegou a altura de passar das palavras aos atos e não meros atos falhados. Outros países passaram por isto e desenganem-se colegas, os nossos parceiros da saúde humana têm de um modo geral menos sensibilidade para estes temas. Por questões inerentes à sua profissão e derivadas da atual organização da sociedade, acabam apenas por cuidar de uma só espécie, na maioria dos casos inseridos num habitat humano, prestando pouca atenção a outras interações, ambientais ou interespécies. Para nós médicos veterinários a One Health está verdadeiramente inscrita no nosso ADN, sabemos isto desde muito cedo, apenas precisamos de a operacionalizar para que a colaboração seja verdadeiramente eficiente.
A minha proposta, de forma a não me alargar em demasia, é simples e concisa. A saber:
1.A Direção Geral de Saúde deve incorporar na sua estrutura principal um médico veterinário. Eventualmente a aposta certa será criar ou idealmente integrar um departamento de zoonoses e doenças transmitidas por vetores dirigido por um médico-veterinário. O Centro de Estudos de Vetores e Doenças Infeciosas, CEVDI do Instituto Ricardo Jorge faz este trabalho e muito bem há cerca de 30 anos. A questão é mais uma vez mais não estar diretamente envolvido na tomada direta de decisões pela Direção Geral de Saúde em termos de saúde pública.
Esta ideia não é um devaneio, foi o caminho seguido pelo Center for Disease Control and Prevention - CDC quando em 1999 Tracey McNamara, médica veterinária e patologista do Zoo de Bronx isolou pela primeira vez o West Nile Virus nos EUA. Mais tarde este departamento evoluiu para uma estrutura de maior dimensão e importância chamado National Center for Emergency and Zoonotic Infectious Diseases.
2. Têm que ser criados e implementados com a máxima urgência planos de segurança comuns entre saúde humana e animal:
Epidemias em caso de catástrofe;
Epidemias por zoonoses – criar uma plataforma online onde deve ser introduzida informação numa perspetiva interespécies (animais mortos, monitorização de pássaros com relevância na transmissão de zoonoses);
Anti Microbial Resistance - AMR/Resistência aos Anti Microbianos – RAM.
Epidemias em caso de catástrofe;
Epidemias por zoonoses – criar uma plataforma online onde deve ser introduzida informação numa perspetiva interespécies (animais mortos, monitorização de pássaros com relevância na transmissão de zoonoses);
Anti Microbial Resistance - AMR/Resistência aos Anti Microbianos – RAM.
Urge que atuemos já que, os vírus, bactérias e demais agentes etiológicos não têm prurido em mudar de hospedeiro ou via de entrada. É tudo uma questão de sobrevivência.
Embora esta área das zoonoses e AMR/RAM exija claramente resposta eficaz e urgente, a One Health/One Medicine está longe de se encerrar por aqui: existem várias áreas em que as sinergias são extremamente úteis para ambas as saúdes: oncologia, comportamento, osteoartrite e outras. Atualmente muitos grupos de trabalho desenvolvem estudos paralelos na mesma linha de investigação. Recomendo a todos a leitura do Livro Zoobiquity de Barbara Natterson-Horowitz e Kathryn Bowers. Muito inspirador, sério e refrescante.
Embora esta área das zoonoses e AMR/RAM exija claramente resposta eficaz e urgente, a One Health/One Medicine está longe de se encerrar por aqui: existem várias áreas em que as sinergias são extremamente úteis para ambas as saúdes: oncologia, comportamento, osteoartrite e outras. Atualmente muitos grupos de trabalho desenvolvem estudos paralelos na mesma linha de investigação. Recomendo a todos a leitura do Livro Zoobiquity de Barbara Natterson-Horowitz e Kathryn Bowers. Muito inspirador, sério e refrescante.
sábado, maio 18, 2019
50 no mês 05 - A maior festa do mundo....... (Para que perdure no tempo e na história)
Antes de mais gostaria de agradecer a todos e a cada um, a vossa presença aqui hoje para celebrar aprés la lettre, o meu ½ século de vida. Como na verdade já tenho 50 anos há alguns dias, tudo agora se torna mais fácil e sinto-me absolutamente segura neste novo patamar.
Não irei fazê-lo individualmente na medida em que todos são tão importantes, em contextos e de formas tão distintas. Assim apenas gostaria de reiterar o gosto imenso que sinto em tê-los junto de mim e que isso assim se mantenha pelo tempo dentro.
Gostaria de partilhar convosco esta história: há dias e perante uma pergunta da minha Mãe sobre qual a sensação/sentimento de ter 50 anos, dizia-lhe que esta era uma sensação nova e que se a pudesse converter em imagem, seria a de alguém a quem é entregue como missão que escale uma montanha, alta. O caminho é longo, ora deslumbrante, ora menos bonito, ora fácil, ora mais acidentado, mas sinto na verdade que sempre fui caminhando o melhor que pude. Caminhei quase, quase, sempre com vento a meu favor. Ao fim de anos de escalada e sempre bem acompanhada, sinto agora que cheguei ao topo. Não tive a companhia de todos quanto inicialmente sonhei e que sempre achei que estariam hoje aqui comigo, mas sinto-os próximo de mim e com eles e com as fortes memórias que nos unem, também caminhei (e caminho).
terça-feira, fevereiro 19, 2019
sexta-feira, dezembro 07, 2018
A vida. Espero estar à altura e que isso permita que também para mim estejam
Quando eu pedir a morte, abracem-me – Inês Teotónio Pereira (retirado por aí)
Daqui a uns anos, se viver até lá, espero que os meus filhos tomem conta de mim. Não quero ir para um lar, ficam já a saber: quero morrer perto, com a minha família por perto. Farei tudo por isso e rezo para que também o façam. Espero que tenham paciência para me aturar sempre que eu fizer dez vezes a mesma pergunta, quando eu perder o juízo, entornar a sopa e levantar-me a meio da noite para fazer a cama. E também espero que me mintam sobre os resultados das análises. Quero que poupem o meu sofrimento e não me levantem a voz. Se tiverem de me lavar, alimentar, transportar, tratar, que o façam com jeito e com amor. Sem impaciência, sem rispidez. No fundo, espero que tenham piedade de mim e que me mimem como os meus pais me mimaram. Vocês são seis, podem dividir o sacrifício por todos e compensar a ausência dos que têm mais que fazer. São seis também por causa disso: para poderem partilhar as coisas más com menos sacrifício e as boas com muito mais alegria, até os pais.
E se eu estiver a sofrer, a sofrer mesmo muito, deixem-me morrer em paz, mas não me matem. Mesmo que a eutanásia seja legal, não deixem, nem me deixem pedi-la. Curem o meu sofrimento com amor e companhia, com cuidado, e aliviem-me a dor para afastar o desespero. O meu e o vosso. Mas não me matem. Quando eu morrer que seja pela doença que me está a matar e não porque a quis matar acabando com a minha vida. Quero morrer com dignidade e não por desespero. Por isso não acreditem quando vos disser que não vale a pena, que a minha vida não vale a pena, que a minha vida não vale o meu sofrimento. Se eu disser isto, mesmo que chore a dizer isto, estou a mentir: é para vos querer livrar do meu sofrimento, porque tenho vergonha da minha fragilidade, porque sou o vosso peso. Será por vocês que implorarei e não por mim. Por mim, ficarei com vocês até ao fim, mesmo a sofrer; prefiro que cuidem de mim, mesmo que não me tratem. Não quero ser um fardo, mas se calhar vou ser. De certeza que vou ser, é a vida. E quando a batalha estiver perdida, deixem a doença levar-me, larguem-me. Não sei se quero despedidas, acho que não. Disfarcem a minha morte, por favor.
Espero que daqui a uns anos, se eu viver até lá e se for legal vocês matarem-me mesmo que seja para acabar com o meu sofrimento e porque eu vos peço, não me oiçam, não me matem. Se a lei não me proteger, protejam-me vocês. Quando eu pedir a morte, abracem-me, não me matem.
quarta-feira, agosto 22, 2018
Agora descobri este - Maya Angelou
You may write me down in history
With your bitter, twisted lies,
You may tread me in the very dirt
But still, like dust, I’ll rise
quarta-feira, agosto 15, 2018
Melancolia feliz
..............................................................................................................................................................
sábado, junho 30, 2018
Mama - Chimpanzé e a força do afeto
Poucos videos/imagens/sentimentos me emocionaram tanto como este. As razões são tantas e tão fortes.
https://www.npr.org/sections/13.7/2017/10/24/559837354/watch-the-moment-a-dying-chimpanzee-recognizes-an-old-friend?t=1530375316961
https://www.npr.org/sections/13.7/2017/10/24/559837354/watch-the-moment-a-dying-chimpanzee-recognizes-an-old-friend?t=1530375316961
quinta-feira, junho 28, 2018
quarta-feira, março 01, 2017
sexta-feira, maio 13, 2016
A ilusão do trabalho
Muito bem escrito embora eu em nada me reveja
http://www.ver.pt/para-uma-nova-etica-do-trabalho/
terça-feira, dezembro 29, 2015
quinta-feira, julho 23, 2015
terça-feira, julho 21, 2015
sábado, julho 11, 2015
quinta-feira, junho 18, 2015
sábado, junho 06, 2015
A minha adorada Cookie
Nem tenho palavras para expressar as saudades que sinto, a falta que me faz no dia-a-dia.............
Subscrever:
Mensagens (Atom)